Notícia TI Tatianne

Um ano depois, pesquisadores voltam à TI Tirecatinga em expedição de saberes e sabores

Em 24/08/26 14:07. Atualizada em 24/08/26 14:09.

A expedição contou com a participação da Prof.ª Tatianne Ferreira, da Escola de Agronomia/UFG

Entre os dias 4 e 11 de agosto de 2026, pesquisadores da Embrapa Alimentos e Territórios, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Universidade Federal de Goiás (UFG) participaram da segunda expedição à Terra Indígena Tirecatinga, em Mato Grosso. A programação reuniu pesquisa científica, saberes tradicionais, conservação da agrobiodiversidade, alimentação, cultura e atividades de formação junto às comunidades indígenas.

Em 2025, o grupo esteve no mesmo território entre os dias 7 e 9 de agosto, quando colheram parte das questões que iriam pesquisar ao longo do ano seguinte: sementes, bebidas, frutas, manejos.

A expedição integra as ações do Projeto Amazônia +10, desenvolvido em parceria pelas três instituições. Nesta etapa, um dos principais objetivos foi realizar a devolutiva das pesquisas desenvolvidas até agora a partir de alimentos e conhecimentos compartilhados pelas próprias comunidades, além de dar continuidade ao diálogo sobre formas de aproveitamento, conservação e valorização dos recursos existentes no território.

As atividades incluíram a apresentação dos primeiros resultados de estudos sobre araruta, bacaba e chicha, a entrega de uma publicação construída a partir dos saberes e da memória das comunidades, a distribuição de dez variedades tradicionais de milho conservadas no banco genético da Embrapa e uma oficina de culinária destinada a crianças e jovens da Aldeia Guarantã.

Pesquisa valoriza araruta e bacaba

Durante a devolutiva, os pesquisadores apresentaram resultados de estudos realizados até agora com amostras de araruta e de amêndoa de bacaba encaminhadas pelas comunidades para análise. Na pesquisa com a araruta, foram caracterizadas duas farinhas: uma produzida apenas com a polpa e outra elaborada com polpa e casca. As análises indicaram que o aproveitamento da casca aumentou os teores de minerais, proteínas e lipídios, reforçando as possibilidades de utilização integral de um alimento já presente na cultura alimentar indígena.

Poster Araruta.jpg

Os estudos também avançaram sobre a amêndoa da bacaba. A caracterização da farinha obtida a partir desse material identificou a presença de proteínas, lipídios, carboidratos e minerais e apontou seu potencial para novos usos alimentícios. A perspectiva é que as próximas etapas das pesquisas envolvam o desenvolvimento de preparações a partir dessas farinhas, como biscoitos e outros produtos, sempre considerando os hábitos alimentares e as práticas já existentes nas comunidades.

Ao apresentar os resultados das pesquisas desenvolvidas pela UFG, a professora Tatianne Ferreira ressaltou que as análises de alimentos como a araruta e a  bacaba ajudam a demonstrar cientificamente o potencial nutricional de produtos que já fazem parte do território e da cultura alimentar das comunidades. Segundo ela, a continuidade dos estudos deverá avançar para o desenvolvimento de novas preparações, buscando ampliar as possibilidades de uso desses alimentos sem se distanciar dos hábitos e conhecimentos tradicionais. 

Para a coordenadora da Organização Thutalinansu, Cleide Terena, a continuidade do cultivo e do consumo desses alimentos está diretamente relacionada à preservação da cultura e à autonomia das novas gerações. “Esse trabalho é uma garantia de que meus netos e as crianças que vêm depois de nós continuarão conhecendo e consumindo esses alimentos. A pesquisa fortalece nossa cultura, ajuda a preservar nossos costumes e cria oportunidades para geração de renda dentro do território”, afirmou.

 

Veja a matéria completa em https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202608/segunda-expedicao-a-ti-tirecatinga-reune-pesquisa-saberes-tradicionais-e-acoes-de-valorizacao-da-sociobiodiversidade

Categorias: NOTÍCIA Notícias